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Category Archives: Brasil

Identificados 10 corpos da tragédia que deixou 11 passageiros mortos

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Dez, dos 11 mortos no acidente com um ônibus da BR-251, chegaram ao Instituto Médico Legal de Montes Claros na tarde desta segunda-feira (19); os corpos são de duas crianças, duas mulheres e seis homens. A décima primeira vítima morreu no hospital de Salinas e ainda não teve o corpo liberado. Ao menos 19 ficaram feridas. O acidente foi na madrugada desta segunda-feira, perto de Salinas, no Norte de Minas. Segundo o Samu, o ônibus saiu da pista e capotou. A Polícia Rodoviária Federal suspeita de excesso de velocidade, mas a informação não pode ser confirmada porque o tacógrafo encontrado no veículo está vencido.

Segundo a secretaria de Desenvolvimento Social de Salinas, os feridos encaminhados ao hospital do município já estão sendo atendidos. De acordo com a assessoria do hospital, uma mulher de 50 anos e uma criança foram transferidas para um hospital de Montes Claros, ambas em estado grave; a mulher respira com ajuda de aparelhos. Três pessoas estão no hospital de Salinas, estáveis; as demais vítimas estão acolhidas no abrigo municipal. O ônibus saiu com passageiros do Bairro Jardim Capela em Santo Amaro, região metropolitana de São Paulo, para Euclides de Cunha, na Bahia. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o veículo não é de linha regular. Ainda segundo a PRF, o motorista fugiu do local, mas, no documento, consta o nome de uma pessoa física, apesar de estar plotado com a inscrição MJ Turismo.Em nota, a Agência Nacional de Transportes Terrestres informou que o veículo está apreendido em Salinas, em um pátio da Polícia Civil, e afirma ainda que será feito um auto de infração, pela ANTT, pelo código 401 – Executar serviços de transporte rodoviário interestadual ou internacional de passageiros, sem prévia autorização ou permissão. “Com relação a empresa MJ Turismo, desde fevereiro de 2015 a ANTT declarou a empresa inidônea de realizar transporte de passageiros pelo período de três anos”, diz a nota. A ANTT informou também que em Minas Gerais 36 veículos foram apreendidos em 2016, e em 2017, até 16/06, foram 24 veículos apreendidos. Fonte: G1.

BOMBA: Aparece cópias de cheques da OAS e da JBS que passaram pela conta de Temer

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URGENTE: Relatório do senador Ferraço da Reforma Trabalhista é REJEITADO na CAS!

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Dólar encosta em R$ 3,35 após derrota do governo em Comissão do Senado Na véspera, moeda norte-americana caiu 0,07%, a R$ 3,2849 na venda

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Homem conta notas de dólar em casa de câmbio no Cairo, Egito. (Foto: Reuters)O dólar opera em alta nesta terça-feira (20), encostando em R$ 3,35, após a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado rejeitar o texto principal da reforma trabalhista, sinalizando uma derrota do governo do presidente Michel Temer no Congresso Nacional.

Às 13h49, a moeda norte-americana avançava 1,521%, a R$ 3,3348 na venda, depois de atingir a máxima de R$ 3,3426, maior patamar intradia desde 19 de maio (R$ 3,3471), segundo a Reuters Veja a cotação do dólar hoje.

Na véspera, o dólar fechou em queda de 0,07%, a R$ 3,2849 na venda.

O Banco Central brasileiro vendeu integralmente a oferta de até 8,2 mil swaps cambiais tradicionais – equivalente à venda futura de dólares – para rolagem dos contratos que vencem julho. Com isso, já rolou US$ 4,1 bilhões do total de US$ 6,939 bilhões que vence no mês que vem.

Cenário político

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado rejeitou, por 10 votos a 9, o relatório da reforma trabalhista elaborado pelo senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que era favorável ao texto aprovado pela Câmara. A proposta vinha sendo utilizada pelo governo para demonstrar que ainda tem força no Congresso.

“O sinal é muito ruim… de perda de força de Temer”, afirmou o economista da gestora Infinity, Jason Vieira, em comentário, informa a Reuters.

A crise política que acertou em cheio o governo após delações de executivos do grupo J&F soou o alarme entre os investidores sobre o rumo das reformas, em especial da Previdência, no Congresso. Por isso, a cautela tem sido a tônica dos mercados financeiros nas últimas semanas.

Além disso, deixava os investidores atentos os rumos das investigações envolvendo Temer no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ainda na agenda política, há o julgamento do pedido de prisão contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), formulado pela Procuradoria-Geral da República, também no STF.

“O apoio da bancada do PSDB é tido como frágil visto que o desembarque da sigla pode acontecer a qualquer momento”, comentou a Correparti Corretora em relatório.

Comissão do Senado rejeita reforma trabalhista Por 10 votos a 9, os senadores rejeitaram a proposta, que vinha sendo utilizada pelo governo para demonstrar que ainda tem força no Congresso

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A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado rejeitou nesta terça-feira o parecer da reforma trabalhista redigido pelo senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), imprimindo ao governo uma importante derrota.

Por 10 votos a 9, os senadores rejeitaram a proposta, que vinha sendo utilizada pelo governo para demonstrar que ainda tem força no Congresso.

Com a rejeição do relatório de Ferraço, a presidente da comissão, Marta Suplicy (PMDB-SP), pôs em votação o voto em separado do senador Paulo Paim (PT-RS), que foi aprovado em votação simbólica. O parecer segue agora para a CCJ.

A base governista não contava com a derrota na comissão. O calendário da reforma prevê começar a leitura da proposta amanhã na Comissão de Constituição de Justiça, presidida por Romero Jucá (PMDB-RR). A votação está prevista para ser votado dia 28, antes do recesso, no plenário do Senado

Joesley Batista quebra o silêncio: “Temer é o chefe da mais perigosa organização criminosa do Brasil” Empresário retornou ao Brasil e concedeu entrevista bombástica

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Redação VN
redacao@varelanoticias.com.br

Em entrevista bombástica concedida para a revista “Época”, o empresário Joesley Batista afirmou que o presidente Michel Temer (PMDB) é “o chefe da maior e mais perigosa organização criminosa” e destacou que sua relação com ele “nunca foi uma relação de amizade” e sim “institucional”.

Além disso, Joesley contou que comprou o silêncio na prisão de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, apontado como o principal operador de propina de Cunha, explicando que o ex-ministro Geddel Vieira Lima era o “mensageiro” do presidente que o procurava.

De acordo com Joesley Batista, os pedidos de Temer sempre eram pessoais.  “Tem políticos que acreditam que, pelo simples fato do cargo que ele está ocupando, já o habilita a você ficar devendo favores a ele. Já o habilita a pedir algo a você de maneira que seja quase uma obrigação você fazer. Temer é assim”, disse.

Vale lembrar que Joesley Batista fechou acordo de delação premiada com o Minitério Público Federal.

Marta Suplicy nega convite para chefiar Ministério da Cultura

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Marta Suplicy nega convite para chefiar Ministério da Cultura

Foto: Agência Senado

O presidente Michel Temer convidou a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) para assumir o Ministério da Cultura, mas recebeu um “não” como resposta. De acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, o convite teria sido realizado pelo governo antes mesmo do pedido de demissão do ministro interino João Batista Andrade. O governo não teria a intenção de efetivá-lo, tendo em vista que ele tinha sido nomeado presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine) antes do ocorrido. Marta Suplicy já foi ministra da Cultura entre 2012 e 2014, no governo de Dilma Rousseff.

Aécio pede ao STF que pedido de prisão seja julgado no plenário Decisão sobre pedido do procurador-geral, Rodrigo Janot, está marcada para a próxima terça-feira na Primeira Turma do Supremo

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A defesa do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) pediu nesta sexta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o pedido de prisão contra ele seja julgado por todos os 11 integrantes do STF no plenário da Corte, e não pela Primeira Turma, composta por cinco ministros, conforme previsto.

Caso o pedido de Aécio não seja acolhido pelo relator, Marco Aurélio Mello, o colegiado formado por Mello, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e Alexandre de Moraes julgará, na terça-feira, dois recursos: um do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que pede a prisão preventiva de Aécio, e outro, do próprio tucano, para que sua liberdade seja assegurada.

Para decidir a questão, os ministros deverão analisar a aplicação ao caso do artigo 53 da Constituição, segundo o qual os parlamentares “não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável”.

Joesley Batista: “Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil” Em entrevista exclusiva a ÉPOCA, o empresário diz que o presidente não tinha “cerimônia” para pedir dinheiro e que Eduardo Cunha cobrava propina em nome de Temer

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Na manhã da quinta-feira (15), o empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, recebeu ÉPOCA para conceder sua primeira entrevista exclusiva desde que fechou a mais pesada delação dos três anos de Lava Jato. Em mais de quatro horas de conversa, precedidas de semanas de intensa negociação, Joesley explicou minuciosamente, sempre fazendo referência aos documentos entregues à Procuradoria-Geral da República, como se tornou o maior comprador de políticos do Brasil. Discorreu sobre os motivos que o levaram a gravar o presidente Michel Temer e a se oferecer à PGR para flagrar crimes em andamento contra a Lava Jato. Atacou o presidente, a quem acusa, com casos e detalhes inéditos, de liderar “a maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil” – e de usar a máquina do governo para retaliá-lo. Contou como o PT de Lula “institucionalizou” a corrupção no Brasil e de que modo o PSDB de Aécio Neves entrou em leilões para comprar partidos nas eleições de 2014. O empresário garante estar arrependido dos crimes que cometeu e se defendeu das acusações de que lucrou com a própria delação.

A seguir, os principais trechos da entrevista publicada na edição de ÉPOCA desta semana. Leia as 12 páginas da conversa com Joesley na edição que chega às bancas neste sábado (16) ou disponível agora nos aplicativos ÉPOCA e Globo+:

Revista ÉPOCA - capa da edição 991 - Entrevista exclusiva com Joesley Batista: "Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil" (Foto: Revista ÉPOCA)

ÉPOCA – Quando o senhor conheceu Temer?
Joesley Batista – Conheci Temer através do ministro Wagner Rossi, em 2009, 2010. Logo no segundo encontro ele já me deu o celular dele. Daí em diante passamos a falar. Eu mandava mensagem para ele, ele mandava para mim. De 2010 em diante. Sempre tive relação direta. Fui várias vezes ao escritório da Praça Pan-Americana, fui várias vezes ao escritório no Itaim, fui várias vezes na casa dele em São Paulo, fui alguma vezes ao Jaburu, ele já esteve aqui em casa, ele foi ao meu casamento. Foi inaugurar a fábrica da Eldorado                                                                                                                                                                                                                  >> Joesley Batista está no Brasil e prestou novo depoimento no acordo de delação premiada

ÉPOCA – Qual, afinal, a natureza da relação do senhor com o presidente Temer?
Joesley –
Nunca foi uma relação de amizade. Sempre foi uma relação institucional, de um empresário que precisava resolver problemas e via nele a condição de resolver problemas. Acho que ele me via como um empresário que poderia financiar as campanhas dele – e fazer esquemas que renderiam propina. Toda vida tive total acesso a ele. Ele por vezes me ligava para conversar, me chamava, eu ia lá.

ÉPOCA – Conversar sobre política?
Joesley –
Ele sempre tinha um assunto específico. Nunca me chamou lá para bater papo. Sempre que ele me chamava eu sabia que ele ia me pedir alguma coisa ou ele queria alguma informação.

>> Joesley Batista: O mais perigoso delator

ÉPOCA – Segundo a colaboração, Temer pediu dinheiro ao senhor já em 2010. É isso?
Joesley –
Isso. Logo no início. Conheci Temer, e esse negócio de dinheiro para campanha, aconteceu logo no iniciozinho. O Temer não tem muita cerimônia para tratar desse assunto. Não é um cara cerimonioso com dinheiro.

ÉPOCA – Ele sempre pediu sem algo em troca?
Joesley –
Sempre estava ligado a alguma coisa ou a algum favor. Raras vezes não. Uma delas foi quando ele pediu os R$ 300 mil para fazer campanha na internet antes do impeachment, preocupado com a imagem dele. Fazia pequenos pedidos. Quando o Wagner saiu, Temer pediu um dinheiro para ele se manter. Também pediu para um tal de Milton Ortolon, que está lá na nossa colaboração. Um sujeito que é ligado a ele. Pediu para nós fazermos um mensalinho. Fizemos. Ele volta e meia fazia pedidos assim. Uma vez ele me chamou para apresentar o Yunes. Disse que o Yunes era amigo dele e para ver se dava para ajudar o Yunes.

>> Joesley Batista está irritado com acusações de Temer

ÉPOCA – E ajudou?
Joesley –
Não chegamos a contratar. Teve uma vez também que ele me pediu para ver se eu pagava o aluguel do escritório dele na praça (Pan-Americana, em São Paulo). Eu desconversei, fiz de conta que não entendi, não ouvi. Ele nunca mais me cobrou.

ÉPOCA – Ele explicava a razão desses pedidos? Por que o senhor deveria pagar?
Joesley –
O Temer tem esse jeito calmo, esse jeito dócil de tratar e coisa. Não falava.

ÉPOCA – Ele não deu nenhuma razão?
Joesley –
Não, não ele. Tem políticos que acreditam que, pelo simples fato do cargo que ele está ocupando, já o habilita a você ficar devendo favores a ele. Já o habilita a pedir algo a você de maneira que seja quase uma obrigação você fazer. Temer é assim.

ÉPOCA – O empréstimo do jatinho da JBS ao presidente também ocorreu dessa maneira?
Joesley –
Não lembro direito. Mas é dentro desse contexto: “Eu preciso viajar, você tem um avião, me empresta aí”. Acha que o cargo já o habilita. Sempre pedindo dinheiro. Pediu para o Chalita em 2012, pediu para o grupo dele em 2014.

ÉPOCA – Houve uma briga por dinheiro dentro do PMDB na campanha de 2014, segundo o lobista Ricardo Saud, que está na colaboração da JBS.
Joesley –
Ricardinho falava direto com Temer, além de mim. O PT mandou dar um dinheiro para os senadores do PMDB. Acho que R$ 35 milhões. O Temer e o Eduardo descobriram e deu uma briga danada. Pediram R$ 15 milhões, o Temer reclamou conosco. Demos o dinheiro. Foi aí que Temer voltou à Presidência do PMDB, da qual ele havia se ausentado. O Eduardo também participou ativamente disso.

ÉPOCA – Como era a relação entre Temer e Eduardo Cunha?
Joesley –
A pessoa a qual o Eduardo se referia como seu superior hierárquico sempre foi o Temer. Sempre falando em nome do Temer. Tudo que o Eduardo conseguia resolver sozinho, ele resolvia. Quando ficava difícil, levava para o Temer. Essa era a hierarquia. Funcionava assim: primeiro vinha o Lúcio (o operador Lúcio Funaro). O que ele não consegui resolver ele pedia para o Eduardo. Se o Eduardo não conseguia resolver, envolvia o Michel.

ÉPOCA – Segundo as provas da delação da JBS e de outras investigações, o senhor pagava constantemente tanto Eduardo Cunha quanto Lúcio Funaro, seja por acertos na Câmara, seja por acertos na Caixa, entre outros. Quem ficava com o dinheiro?
Joesley –
Em grande parte do período que convivemos meu acerto era direto com o Lúcio. Eu não sei como era o acerto do Lúcio do Eduardo, tampouco do Eduardo com o Michel. Eu não sei como era a distribuição entre eles. Eu evitava falar de dinheiro de um com o outro. Não sabia como era o acerto entre eles. Depois, comecei a tratar uns negócios direto com o Eduardo. Em 2015, quando ele assumiu a Presidência da Câmara. Não sei também quanto desses acertos iam para o Michel. E com o Michel mesmo eu também tratei várias doações. Quando eu ia falar de esquema mais estrutural com Michel, ele sempre pedia para falar com o Eduardo. “Presidente, o negócio do Ministério da Agricultura, o negócio dos acertos…”. Ele dizia: “Joesley, essa parte financeira toca com o Eduardo e se acerta com o Eduardo”. Ele se envolvia somente nos pequenos favores pessoais ou em disputas internas, como a de 2014.

ÉPOCA – O senhor realmente precisava tanto assim desse grupo de Eduardo Cunha, Lúcio Funaro e Temer?
Joesley –
Eles foram crescendo no FI-FGTS, na Caixa, na Agricultura – todos órgãos onde tínhamos interesses. Eu morria de medo de eles encamparem o Ministério da Agricultura. Eu sabia que o achaque ia ser grande. Eles tentaram. Graças a Deus mudou o governo e eles saíram. O mais relevante foi quando Eduardo tomou a Câmara. Aí virou CPI para cá, achaque para lá. Tinha de tudo. Eduardo sempre deixava claro que o fortalecimento dele era o fortalecimento do grupo da Câmara e do próprio Michel. Aquele grupo tem o estilo de entrar na sua vida sem ser convidado.

ÉPOCA – Pode dar um exemplo?
Joesley –
O Eduardo, quando já era presidente da Câmara, um dia me disse assim: “Joesley, tão querendo abrir uma CPI contra a JBS para investigar BNDES. É o seguinte: você me dá R$ 5 milhões que eu acabo com a CPI”. Falei: “Eduardo, pode abrir, não tem problema”. “Como não tem problema? Investigar o BNDES, vocês.” Falei: “Não, não tem problema”. “Você tá louco?” Depois de tanto insistir, ele virou bem sério: “É sério que não tem problema?” Eu: “É sério”. Ele: “Não vai te prejudicar em nada?” “Não, Eduardo.” Ele imediatamente falou assim: “Seu concorrente me paga R$ 5 milhões para abrir essa CPI. Se não vai te prejudicar, se não tem problema… Eu acho que eles me dão os R$ 5 milhões.” “Uai, Eduardo, vai sua consciência. Faz o que você achar melhor.” Esse é o Eduardo. Não paguei e não abriu. Não sei se ele foi atrás. Esse é o exemplo mais bem acabado da lógica dessa Orcrim.

ÉPOCA – Algum outro?
Joesley –
Lúcio fazia a mesma coisa. Virava para mim e dizia: “Tem um requerimento numa CPI para te convocar. Me dá R$ 1 milhão que eu barro”. Mas a gente ia ver e descobria que era algum deputado a mando dele que estava fazendo. É uma coisa de louco.

ÉPOCA – O senhor não pagou?
Joesley –
Nesse tipo de coisa, não. Tinha alguns limites. Tinha que tomar cuidado. Essa é a maior e mais perigosa organização criminosa desse país. Liderada pelo presidente.

ÉPOCA – O chefe é o presidente Temer?
Joesley –
O Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites. Então meu convívio com eles foi sempre mantendo à meia distância: nem deixando eles aproximarem demais nem deixando eles longe demais. Para não armar alguma coisa contra mim. A realidade é que esse grupo é o de mais difícil convívio que já tive na minha vida. Daquele sujeito que nunca tive coragem de romper, mas também morria de medo de me abraçar com ele.

ÉPOCA – No decorrer de 2016, o senhor, segundo admite e as provas corroboram, estava pagando pelo silêncio de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, ambos já presos na Lava Jato, com quem o senhor tivera acertos na Caixa e na Câmara. O custo de manter esse silêncio ficou alto demais? Muito arriscado?
Joesley –
Virei refém de dois presidiários. Combinei quando já estava claro que eles seriam presos, no ano passado. O Eduardo me pediu R$ 5 milhões. Disse que eu devia a ele. Não devia, mas como ia brigar com ele? Dez dias depois ele foi preso. Eu tinha perguntado para ele: “Se você for preso, quem é a pessoa que posso considerar seu mensageiro?”. Ele disse: “O Altair procura vocês. Qualquer outra pessoa não atenda”.  Passou um mês, veio o Altair. Meu deus, como vou dar esse dinheiro para o cara que está preso? Aí o Altair disse que a família do Eduardo precisava e que ele estaria solto logo, logo. E que o dinheiro duraria até março deste ano. Fui pagando, em dinheiro vivo, ao longo de 2016. E eu sabia que, quando ele não saísse da cadeia, ia mandar recados.

ÉPOCA – E o Lúcio Funaro?
Joesley –
Foi parecido. Perguntei para ele quem seria o mensageiro se ele fosse preso. Ele disse que seria um irmão dele, o Dante. Depois virou a irmã. Fomos pagando mesada. O Eduardo sempre dizia: “Joesley, estamos juntos, estamos juntos. Não te delato nunca. Eu confio em você. Sei que nunca vai me deixar na mão, vai cuidar da minha família”. Lúcio era a mesma coisa: “Confio em você, eu posso ir preso porque eu sei que você não vai deixar minha família mal. Não te delato”.

ÉPOCA – E eles cumpriram o acerto, não?
Joesley –
Sim. Sempre me mandando recados: “Você está cumprindo tudo direitinho. Não vão te delatar. Podem delatar todo mundo menos você”. Mas não era sustentável. Não tinha fim. E toda hora o mensageiro do presidente me procurando para garantir que eu estava mantendo esse sistema.

ÉPOCA – Quem era o mensageiro?
Joesley –
Geddel. De 15 em 15 dias era uma agonia terrível. Sempre querendo saber se estava tudo certo, se ia ter delação, se eu estava cuidando dos dois. O presidente estava preocupado. Quem estava incumbido de manter Eduardo e Lúcio calmos era eu.

ÉPOCA – O ministro Geddel falava em nome do presidente Temer?
Joesley –
Sem dúvida. Depois que o Eduardo foi preso, mantive a interlocução desses assuntos via Geddel. O presidente sabia de tudo. Eu informava o presidente por meio do Geddel. E ele sabia que eu estava pagando o Lúcio e o Eduardo. Quando o Geddel caiu, deixei de ter interlocução com o Planalto por um tempo. Até por precaução.

Vídeo de Câmera de segurança mostra o exato momento do acidente em que a ex-cantora do Cavaleiros do Forró Elizia Clivia morreu

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Câmeras de segurança flagraram o exato momento do acidente que vitimou a cantora Eliza Clívia. Ela estava em um veículo de passeio que foi atingindo por um ônibus em um cruzamento da cidade de Aracaju, Sergipe. O acidente aconteceu no cruzamento das ruas Maruim e Arauá, no Centro da capital sergipana. Veja o vídeo